sexta-feira, 7 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte VIII)

(Anteriormente:
"Saímos e demos caras com a casa. Estava destruída. A porta já não existia tal como as janelas e algumas paredes. Todos os objetos que se encontravam foram queimados e destruídos. Parecia que o inferno tinha passado por cá.")


Ouvi a menina a dizer umas palavras pela sua boca mas não percebi nada. Deixei passar.
"Não me perguntas nada?" Perguntou-me ela com a voz um pouco nervosa e chocada ao mesmo tempo.
Não percebi a sua pergunta. Do que estaria ela a falar? Não tinha nada para lhe perguntar, acho. "O que?" Perguntei-lhe com estranheza. "Bem, sempre insististe em saber o meu nome, e como não te recordas eu estou pronta a dizer." "Bem" Pausei. "Qual é?".
Ela deixou-se fluir por o resto daquela sala, daquela ex-belíssima casa. No fim acabou por se sentar no meio da sala olhando para mim. "Qual é?" Perguntei-lhe um pouco entusiasmada por saber qual era o misterioso nome dela. "Coraline" Disse-me com um sorriso meio forçado no rostro. "Como aquela do filme de desenhos animados?" "Não tola" Riu.
Aquele nome era tão familiar. Não sabia de onde ou de quem o era. A única coisa que me vinha à cabeça era uma menina de um filme, mas sabia que havia algo mais que isso. Se calhar de um conhecido? Bem, não era importante.
"Então... Já sabes quem sou eu?" Disse-me ela levantando o seu corpo do chão e andando de seguida até à minha beira. "Bem... Só sei que és uma menina que se chama Coraline e que tem 11 anos. E que teve uma história má com os pais que ainda não sei ao certo mas que não vou perguntei" Ela ficou encarando-me com os olhos abertos algo que me começava a assustar. O resto dela era frio e tenho a certeza que se a tocava o seu corpo estaria mais gelado do que o costume. "Fico chocado por não te lembrares de mim..." Disse-me. "Desculpa" Pausei. "Mas não sei mesmo do que falas. Deves ter-te enganado de pessoa" "Não!" Gritou-me. "Sim, és tu" Disse-me calma.
Deixei de remoer com ela naquela assunto. Já estava farta pois ela tocava sempre no mesmo botão a dizer que eu a conhecia. Ela ainda nem me perguntou o nome, nem idade, nem nada!
Ouvi um barulho vindo da minha barriga. A fome apertava cada vez mais acho que ia dar em maluca.
"Tens comida" Perguntei-lhe. "Eu sim?" Disse-me olhando com os olhos de má. Lembrei-me que ela está MORTA ou seja que eu poderia ser muito bem o jantar dela. Isso não me agrada nem um bocadinho. "Mas sou eu que tenho fome" Disse-lhe. " E que disse que eu não tenho?" Disse ela a ir na minha direção. "Porque tu supostamente estás morta, e supostamente não devias ter fome." Respondi-lhe. Ela não me respondeu, nem me deitou olhares, nem nada. "Por favor da-me comida" Disse-lhe cariciosamente.
Ela saio do seu sitio e em segundos desapareceu da minha vista. Como o pó com um simples sobro se espalha mas não deixa marca no lugar.
Comecei a contar números sem ordem ou sentido apenas para passar o tempo.
De repente, em segundos, a figura da Coraline apareceu à minha frente com uma sandes e um sumo. Vou ser sincera... Tinha medo do que fosse aquilo.
"É comestível?" Perguntei-lhe com medo da reação dela. "Se não comes tu, como eu que não há problema com isso" Disse-me seca e fria com uma expressão dura no rostro. "Eu como".
Comecei a comer e aquilo não estava tão mal. Tinha um paladar estranho mas não me atrevia a perguntar o que era, pois o meu medo era a resposta.
"Se estás morta... Porque tens sentimentos?" Perguntei-lhe em quando comia. "Não sei... Nada aqui é normal" "Lá nisso tens razão".
Continuei a comer e em espaços de segundos acabei com a comida.
"Porque tens esses tiques de bipolaridade?" Perguntei-lhe.
É verdade... Ela é muito bipolar. Num momento está bem comigo e depois está mal. Ela faz-me lembrar aquela rapariga da escola que vos falei a algum tempo. São muito parecidas em certos aspectos.
A Coraline começou a ficar agitada e de repente fico toda vermelha. Raiva estava nela, evadida no seu coração. Temia,a gora sim, pela minha vida.



(Amanhã publico a parte 9)

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