"Vamos ver os factos. Estou morta. Não morri "em paz". Estou no bairro com Coraline. Coraline disse-me que os habitantes de cá que não morreram em paz foram transformados, e que só um deles, Coraline, seria a criatura do diabo, ou algo do género. Que serei eu?")
Passou um raio eléctrico pela minha espinha até cima. Olhei vários vezes para ela, sem nada para lhe dizer. Será que devia perguntar? É que tenho medo da resposta. Voltei a olhar para ela, mas rápida mente afastei o olhar para Baco. E se me transformar como Baco? Pelo menos o vou ter ao meu lado, não é que esteja a dizer que agora não está.
Olhei para Coraline, que nesse momento me olhava de volta. "Pára!" Ordenou ela. "Porque?" Questionei-lhe. "Isso incomoda-me." "Posso perguntar-te uma coisa Coraline?" "Já perguntaste" Riu. "O que sou?" Ela parou, e olhou para mim esperando a ver se eu dizia algo mais. Não vi expressão no rosto dela, mas algo começava a vir ao alto cimo dos seu rosto. Vi, nela, receio, receio de algo.
Ela não respondia, e não sei porque, parecia que ela estava com medo. Medo de mim.
"Quando chegar-mos ao local eu digo-te calmamente." Respondeu a minha pergunta. "Mas que local?" "Logo vês."
Ela, antigamente, quando respondia algo como respondeu agora começava-se a rir ou ficava com um sorriso perverso no rosto. Ela agora estava calma, com uma cara seria.
Andamos mais uns longos quilómetros. Claro que eu não estava cansada, a não ser da espera, mas Baco devia estar bem cansado.
De repente, do nada, aparece uma cova. Era bem escura, continha uma data de rochas e pedras, areia e parecia ser bem fria. Não se ouvia nada, nem um único piu.
Coraline chegou-se mais para à frente e gritou "AH" e ecoou amiudamente fazendo um grande barulho. Depois Coraline gritou de vagar e pausadamente o seu nome, e de seguida uma porta apareceu atrás de nós. Era uma simples porta de madeira. Para mim, aquela porta não era nada, pois se abrisses não ias a lado nenhum.
Coraline ficou frente-a-frente com a porta e abriu-a. De-la sei uma enorme luz, impedindo-me de visualizar as coisas. Ela entrou e Baco fez o mesmo.
Não conseguia abrir os olhos, era quase impossível. Sentia que Baco andava, ou seja ele e Coraline conseguiam ver e continuar o tal caminho para chegar ao esperado local.
Parecia que nunca, mas mesmo nunca, mais chegávamos. Estava a ficar com sono, por isso decidi ficar confortável e fechar os olhos.
"Quem sou eu?" Perguntei quase gritando. "Oh amor tinha tantas saudades tuas." Eu nem acredito. Quem tinha acabo de dizer isto era a minha mãe que estava junto ao meu pai. Ambos com lágrimas nos olhos. Fui a correr ter com eles abraçando-os. "Eu nem acredito que estou aqui, nem acredito que aquilo foi tudo um sonho" Disse-lhes com lágrimas. "O que foi um sonho minha filha?" Perguntou-me o meu pai. "Foi mais bem um pesadelo, foi horrível! Mas o mais importante é que não passou de isso, um pesadelo." Sorri, e abracei-os mais uma vês.
Fomos andando até a nossa casa. Mal abrimos a porta um monte de pessoas gritaram "BEM VINDA DE NOVO!" Eram os meus amigos todos. Não sabia o motivo da festa, nem porque o de "Bem vinda" mas fico feliz, pois sendo um sonho ou não, as saudades eram muitas.
Eu falava com todos, agradecendo por estarem presentes cá. Pessoas tinham trazido presentes, mas eram simples bugigangas, nada de especial.
Vi no fundo uma menina sozinha. Uma menina como quem diz. A figura dela era-me familiar, mas não liguei, não devia ser ninguém importante.
Voltei a festa, e depois foi para a janela da sala. Olhei para a lua e agradeci por aquilo tudo, ter sido só um pesadelo.