sábado, 29 de junho de 2013

Bairro Assombrado 2 (Parte IV)

(Anteriormente:
"Vamos ver os factos. Estou morta. Não morri "em paz". Estou no bairro com Coraline. Coraline disse-me que os habitantes de cá que não morreram em paz foram transformados, e que só um deles, Coraline, seria a criatura do diabo, ou algo do género. Que serei eu?")

Passou um raio eléctrico pela minha espinha até cima. Olhei vários vezes para ela, sem nada para lhe dizer. Será que devia perguntar? É que tenho medo da resposta. Voltei a olhar para ela, mas rápida mente afastei o olhar para Baco. E se me transformar como Baco? Pelo menos o vou ter ao meu lado, não é que esteja a dizer que agora não está.
Olhei para Coraline, que nesse momento me olhava de volta. "Pára!" Ordenou ela. "Porque?" Questionei-lhe. "Isso incomoda-me." "Posso perguntar-te uma coisa Coraline?" "Já perguntaste" Riu. "O que sou?" Ela parou, e olhou para mim esperando a ver se eu dizia algo mais. Não vi expressão no rosto dela, mas algo começava a vir ao alto cimo dos seu rosto. Vi, nela, receio, receio de algo.
Ela não respondia, e não sei porque, parecia que ela estava com medo. Medo de mim.
"Quando chegar-mos ao local eu digo-te calmamente." Respondeu a minha pergunta. "Mas que local?" "Logo vês."
Ela, antigamente, quando respondia algo como respondeu agora começava-se a rir ou ficava com um sorriso perverso no rosto. Ela agora estava calma, com uma cara seria.
Andamos mais uns longos quilómetros. Claro que eu não estava cansada, a não ser da espera, mas Baco devia estar bem cansado.
De repente, do nada, aparece uma cova. Era bem escura, continha uma data de rochas e pedras, areia e parecia ser bem fria. Não se ouvia nada, nem um único 
piu.
Coraline chegou-se mais para à frente e gritou "AH" e ecoou amiudamente fazendo um grande barulho. Depois Coraline gritou de vagar e pausadamente o seu nome, e de seguida uma porta apareceu atrás de nós. Era uma simples porta de madeira. Para mim, aquela porta não era nada, pois se abrisses não ias a lado nenhum.
Coraline ficou frente-a-frente com a porta e abriu-a. De-la sei uma enorme luz, impedindo-me de visualizar as coisas. Ela entrou e Baco fez o mesmo.
Não conseguia abrir os olhos, era quase impossível. Sentia que Baco andava, ou seja ele e Coraline conseguiam ver e continuar o tal caminho para chegar ao esperado local.
Parecia que nunca, mas mesmo nunca, mais chegávamos. Estava a ficar com sono, por isso decidi ficar confortável e fechar os olhos.

"Quem sou eu?" Perguntei quase gritando. "Oh amor tinha tantas saudades tuas." Eu nem acredito. Quem tinha acabo de dizer isto era a minha mãe que estava junto ao meu pai. Ambos com lágrimas nos olhos. Fui a correr ter com eles abraçando-os. "Eu nem acredito que estou aqui, nem acredito que aquilo foi tudo um sonho" Disse-lhes com lágrimas. "O que foi um sonho minha filha?" Perguntou-me o meu pai. "Foi mais bem um pesadelo, foi horrível! Mas o mais importante é que não passou de isso, um pesadelo." Sorri, e abracei-os mais uma vês.
Fomos andando até a nossa casa. Mal abrimos a porta um monte de pessoas gritaram "BEM VINDA DE NOVO!" Eram os meus amigos todos. Não sabia o motivo da festa, nem porque o de "Bem vinda" mas fico feliz, pois sendo um sonho ou não, as saudades eram muitas.
Eu falava com todos, agradecendo por estarem presentes cá. Pessoas tinham trazido presentes, mas eram simples bugigangas, nada de especial.
Vi no fundo uma menina sozinha. Uma menina como quem diz. A figura dela era-me familiar, mas não liguei, não devia ser ninguém importante.

Voltei a festa, e depois foi para a janela da sala. Olhei para a lua e agradeci por aquilo tudo, ter sido só um pesadelo.



(Amanhã publico a parte 5)

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Bairro Assombrado 2 (Parte III)

(Anteriormente:
"Do nada ouviu-se uma voz fininha, aguda e arrepiante, de menina a dizer "Bem vinda de volta Molly". O meu mundo parou aqui.")

Detive-me naquele instante. Os meus olhos estavam abertos. Eu não queria acreditar, mas era mesmo. Era ela, ela está aqui.
Fiz um esforço e olhei para todos os lados. Não a vi, até que vi uma figura a sair da escuridão. Era ela. Continuava igual. Coraline continuava a ser aquela menina de 11 anos assustadora, com o vestido todo sujo e comprido, com cabelos largos pretos todos estragados. Ela continuava a ser aquela menina sangrenta.
As últimas imagens dela transformada naquele ser horrendo vieram rapidamente aos meus pensamentos mais profundos. Não a queria voltar a ver a naquele estado!! E ainda não percebo como estou viva, como sobrevivi aquilo. Mas, se calhar nem estou viva... Devo perguntar-lhe? Não! Não consigo! Tentei confiar nela, mas ela não tem um animo estável. Ela não é de confiança, ninguém deste mundo é, a excepção deste ser que me carrega nas costas.
Ela aproximou-se de mim e Baco afastava-se dela, sem eu pedir. Ele teria medo dela?
"Então, rapaz, não fujas de mim" Disse Coraline dirigindo-se a Baco, com um sorriso na face.
Eu não detive Baco. Se ele tinha medo, é porque, realmente, Coraline não era uma boa peça neste puzzle.

Ela olhou para mim. Mirava-me de uma maneira estranha. Não sabia se ter medo ou outra coisa do género. 
"Olá" Pausou "Molly". Sorriu.
Nada lhe disse, pois pensava no como ela sabia o meu apelido, ou melhor cognome. Esse nome, Molly, foi-me dado lá na escola desde o infantário pelos meus colegas. Todos me chamavam assim. Era um nome carinhoso. Só as pessoas mais queridas a mim é que o usavam.
"Então, Molly, não dizes nada?" Surpreendeu-se. "Não me chames de Molly" Disse-lhe calma, pois, dentro de mim, estava a morrer do medo que tinha daquela criatura. "Mas, porque, Molly?". Ela queria irritar-me!? Ela não percebe o que lhe digo?! "Não chames, e já está." Revirei-lhe os olhos. "Ok, não direi o teu nome." "Obrigada" Bufei. "Mas..." Continuou. "Mas o que?" Perguntei com remorsos do que podia vir vindo dela. "Só não direi o teu nome, ou melhor cognome, se ficares comigo." Sorriu. "E porque faria eu tal coisa?" Disse-lhe indignada. "Bem, há razões para eu querer estar contigo... Mas podes vir a bem..." Pausou novamente "Ou podes vir a mal." Riu.
Fiquei a olhar para ela. Baco não me podia defender, eu tenho a certeza disso. Ambos são criaturas monstruosas, mas sei que Coraline é mais forte que Baco.
Olhei para Baco, que se encontrava assustado com esta situação toda. Eu tinha que ir com ela, não quero voltar a passar pelo que passei antes.
"Rápido, estou há espera" Disse Coraline. "Ok" Disse baixinho. "Mas... Eu vou-te fazer perguntas e vais ter que me responder a tudo." Ela ficou a olhar para mim, sem dizer uma única palavra, até que pronunciou "Como queiras".
Ela começou a andar na direção oposta a mim. Dei coragem a Baco e fomos os dois atrás dela.
Ela andou entre umas árvores e muros. Como tudo neste lugar, eram coisas e plantas velhas. O cheiro já não era tão forte, mas podia ser do habito. Não conhecia este sitio, mas sabia que ainda nos encontrávamos naquele bairro.

Pedia a Baco para nos juntarmos mais a Coraline, e assim o fez. Esperei um pouco, e sem olhar para a figura dela, perguntei-lhe "Quanto tempo estive enterrada?". Ela devia saber responder a isto, certo? Afinal, foi ela que me matou. 
Esperei um pouco até que ouvi-a responder "10 anos". Nada respondi, limitei-me a engolir a resposta dela. "10 ANOS!?" Pensei. Eram demasiados anos, e se só "acordei" dez anos depois... Que queria isto dizer? 
"Então... Eu morri?" Perguntei-lhe. "Ohh... Tu não "morreste", tu estás." Respondeu-me sem me encarar. "Porque isto não me surpreende?" Pensei para mim.
Recordando histórias passadas, quem não morrer em paz ficará aqui para sempre, e quem morrer em paz irá para o céu. Ou seja... Não morri em paz? Mas... Tenho que pensar com calma, digerir isto tudo. Uma coisa de cada vez.
Vamos ver os factos. Estou morta. Não morri "em paz". Estou no bairro com Coraline. Coraline disse-me que os habitantes de cá que não morreram em paz foram transformados, e que só um deles, Coraline, seria a criatura do diabo, ou algo do género. Que serei eu?
 


(Amanhã publico a parte 4)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Bairro Assombrado 2 (Parte II)

(Anteriormente:
"Senti um pouco de poeira a passar pela minha cara, e logo abri os olhos. À minha frente, onde estava o monstro, encontrava-se um enorme piano de cauda. Era branco, e estava limpo. Não havia rastro do monstro, teria desaparecido.
Aproximei-me do piano, onde de lá saiu um banco. Sentei-me e comecei a tocar uma melodia. Era calma, mas comecei a revoltar-me. Eu, estava apenas a tocar os meus sentimentos.")


A melodia tinha partes calmas, mas atrás vinham partes bruscas e algo perigosas. Eu, tocava o grande piano com os olhos fechados. As minhas mãos pareciam penas. Eu mesma parecia. Sentia-me bem naquele momento, e eu nem sabia que conseguia tocar assim.
Abri um pouco os olhos vendo o monstro a levantar-se serenamente. Parecia que o controlava  com o que fazia. Com o piano.
Toquei umas últimas notas e parei, calma e com paz. Olhei novamente para o monstro que tinha um ar sereno nele. Levantei-me, devagar, olhando-o nos olhos. A cor do pelo dele estava a mudar. Agora era branco acinzentado. Parecia mais manso. Aproximei-me dele, com a mão direita levantada para ele. Ele mexeu-se um pouco e por instinto escondi a minha mão. Vi que ele não ia fazer nada, então voltei a por a mão perante o seu olhar. Toquei-o. O pelo dele era meigo comigo. Os olhos transmitiam confiança. Não era tão mau como pensava.
Ele agarrou em mim, suavemente, e colocou-me à esquerda um pouco afastada dele. Meteu-se de gatas. Li a mente dele. Ele seria o meu método de transporte.
Ao certo não sabia onde estava, nem nada do que tinha acontecido, mas consegui ter confiança neste animal.
Olhei para os olhos dele e disse-lhe "Baco, esse será o teu nome a partir de hoje." Não sei se é de mim, mas parecia mesmo que ele tinha acabado de sorrir com os olhos. Parecia que ele me compreendia, que me percebia. Será? Não sei... Eu não sou nenhum monstro... Penso eu.
Sentei-me em cima de Baco agarrando-o com força para não me soltar. Ele olhou para mim, e fiz um movimento para à frente dizendo "Vamos".
Baco começou a correr. Baldes de vento iam contra o meu rosto, impedindo-me de visualizar as coisas bem.
Fui um longo caminho, mas Baco parou. Tinha a respiração pesada, afinal, ele estava cansado.
Vi à direita um pequeno lago com água. Olhei para Baco, que me mirava com olhos doces, e apontei para o pequeno lago. Ele aproximou-se do lago, agachando a cabeça e metendo a língua de fora metendo-a na água. Ele começou a beber, estava a matar a sede.
Sentei-me numa pedra olhando para ele. Eu esperava. Esperava sem pensar. Nada vinha à minha mente.
Baco terminou de beber. Voltei a subir para as costas dele. Desta vez, ele não correu. Fomos calmamente até o final do caminho.
Chegamos a um sitio que me era bastante familiar. Memorias começaram a invadir a mente. Começaram a aparecer, na minha cabeça, monstros e
zombies. Também aparecia uma menina onde dizia repetidamente Coraline. Tudo passou-me "à frente dos olhos". Comecei a lembrar-me do que tinha passado, do que tinha sentido, do que tinha sofrido.
Já me lembrava, eu agora estava no bairro, o bairro que eu tanto temia, que eu tanto tinha medo. As coisas continuavam iguais. Tudo destruído, queimado e podre. Numa situação normal era impossível alguém viver aqui, mas lembrem-se... Não estou num sitio normal, estou num bairro fora do mundo normal. Um sitio onde tudo o que é chamado de "normal" cá, para mim é paranormal.
Mantive-me estável em cima de Baco. Sabia que com ele iria estar bem. Sei que ele não é como Coraline. Acho que Baco me percebe.
Ele continuou a andar. Cada passo que ele dava eu ficava insegura. As memorias era muito frescas. Não sei quanto tempo estive enterrada ao certo, mas com o que estou a ver, parece que foi há muito.
O pior disto não era o aspeto horrendo, nem o cheiro do local, mas sim o silencio infernal que se encontrava.
Do nada ouviu-se uma voz fininha, aguda e arrepiante, de menina a dizer "Bem vinda de volta Molly". O meu mundo parou aqui.

(Amanhã publico a parte 3)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Bairro Assombrado 2 (Parte I)

Não conseguia abrir os olhos, pois o cheiro e o toque estavam apoderasse de mim. Comecei a sentir como bichos pelo meu corpo todo, que rastejam como se estivessem num monte de montanhas suaves e sem pedregulhos e rochas pesadas. Não só me sentia nojenta como também apertada. Não era algo duro que se encontrava ao meu redor, mas sim algo com um tacto estranho. Conseguia-me mexer, pois estava a conseguir arranjar espaço.
Estava ali, eu, com os olhos fechados, mas sentia a solidão e a escuridão a apoderar-se do meu corpo.
Comecei a ficar sem ar, mas tossir era algo que eu não queria fazer. Tenho pânico a bichos. Pensei e comecei a fazer movimentos bruscos. Já conseguia decifrar onde estava. Sentia um tipo de terra mole mas rijo ao mesmo tempo. Começava-me a arranhar cada vez mais. Estaria eu enterrada? Mas porque? Não me lembro de nada, e não sei se me irei lembrar.
Já conseguia sentir ar na minha mãe direita. Já estaria no topo da cova. Levantei-me, bruscamente, com todas as minhas forças e abri os olhos. Olhei à minha volta e vi que me encontrava num cemitério. Não era um normal. Era escuro, solitário. O próprio céu era cinzento e o sol era escuro. As árvores eram pálidas e carecas, e os caminhos eram retorcidos e perdidos. Olhei para a direita e para a esquerda. Não via nada.
Comecei a sentir umas cocegas nas minhas pernas. Olhei para baixo e dei um berro levantando-me a correr limpando-me. Era uma aranha que se encontrava nelas. Bem preta e bem peluda.
Olhei para mim. Estava suja, tinha as roupas rasgadas e não havia um único pedaço de pele do meu corpo que não se encontrava com arranhões ou cicatrizes.
Olhei para os caminhos que lá se encontravam. Havia três. Um tinha o nome de Psychoville. O segundo tinha um nome bem estranho. Nome esse que não me iria esquecer. O nome dado a esse caminho era Blood Village. Por último estava um caminho, menos assustador que os outros, que não tinha nome. Parecia que um animal monstruoso, com garras do tamanho da minha cara, tinha rachado aquela placa.
Olhei para os três caminhos, e decidi andar por o caminho sem nome. Era o menos assustador, mas não deixava de ter o seu ar tenebroso.
Comecei a andar, quase a rastejar, por aquele caminho. Olhava para as árvores onde via cada bicho que não me iriam passar pela cabeça, nunca. Vi um que me chamou muito a atenção. Era como uma espécie de pombo. No inicio parecia normal, mas depois deixou de ser. Esse "pombo" tinha duas cabeças. O pico dele encontrava-se com enormes dentes e enormes línguas. Mas não era só isto. Eles, cada vez que os olha, cuspiam fogo. Não fugi, apenas não voltei a olhar.
Parecia que aquele caminho não tinha fim. Mas a cada passo que dava as corrente de ar eram mais fortes e mais frias. Por mais incrível que pareça não tinha frio. Nem frio, nem medo de nada.
Estava a andar, descansada, quando senti um movimento pela direita. Olhei para lá, mas nada vi. De repente voltei a sentir a mesma coisa mas para a esquerda. Olhei e nada.
Comecei a andar, outra vez, calmamente, pois aquilo podia ser fruto da minha imaginação por causa do vento.
Na verdade eu estava sempre a ouvir esse barulho, e parecia bastante real.
Olhei para trás e vi um monstro. Era do dobro da minha altura. Peludo, de cor laranja. Tinha três olhos e pequenos dentes, mas afiados. As garras dele eram enormes.
Andei um passo atrás. Comecei a ouvir um pequeno assobiar vindo de cima, que cada vez era mais alto. Olhei para cima e vi algo grande a cair. Afastei-me e fechei os olhos, metendo os braços à frente da cara e ouvindo de seguida um estrondo.
Senti um pouco de poeira a passar pela minha cara, e logo abri os olhos. À minha frente, onde estava o monstro, encontrava-se um enorme piano de cauda. Era branco, e estava limpo. Não havia rastro do monstro, teria desaparecido.
Aproximei-me do piano, onde de lá saiu um banco. Sentei-me e comecei a tocar uma melodia. Era calma, mas comecei a revoltar-me. Eu, estava apenas a tocar os meus sentimentos.



(Amanhã publico a parte 2)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Verão (Frases)

E já chegou o verão. E agora relembrei o que diziam... Afinal, o verão está bom.
Agora vamos dançar com as músicas que nos vão recordar a praia, o mar e o sol.
Hoje vou vos mostrar várias frases que tenha o verão nelas.


"No frio do inverno, finalmente aprendi que dentro de mim existe um insuperável verão."

"Voa um par de andorinhas, fazendo verão. E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas, velhas cartas recebidas. Vontade de mudar de camisa, por fora e por dentro... Vontade.. para que esse pudor de certas palavras?...vontade de amar, simplesmente."

"De todas as maneirasQue há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão"

Desculpem por este texto, mas é que estou a falar com muita gente ao mesmo tempo e não estou conseguir escrever hoje.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Caros Leitores (...)

Queria pedir um enorme DESCULPA a todos os meus leitores por não ter estado presente no blog. A semana passada não estive presente pois foi a última semana de aulas, e nestes dias ando com a cabeça noutro sitio e fico com preguiça de vir cá...
Mas quero agradecer, pois vi que há sempre pessoas a virem diariamente ver o blog.

Dentro de algum tempo irei voltar a escrever o Bairro Assombrado, e vamos ver como corre.
Tenho pena por não ter criado um blog 100% diário, mas sabem que isto não é assim tão fácil. Temos que ter tempo, e nem sempre é fácil arranja-lo.
Espero passar a vir mais tempo, que supostamente vou continuar a vir todos os dias. Vou tentar vir mais divertida e mais alegre, quando posso nem estar. Vou, se calhar, passar a vir com contos e fabulas escritas e pensadas por mim. Vou tentar continuar com o mesmo objetivo, que é escrever, ajudar não só a mim como aos outros, fazer perguntas e responder, vou continuar a escrever coisas sobre a vida, mas tentando ser mais divertida e tentar mostrar a muita gente que por mais triste que a vida pareça ser, haverá sempre algo de bom nela que muitas vezes não lhe damos o valor que merece.
Não vou jogar as adivinhas nem as escondida, mas vou, muitas vezes, jugar com as palavras que é uma coisa que eu gosto.
Há dias em que estou farta de dar lições de moral, mas vejo que muitas vezes é o necessário.
Para quem ainda não sabe, este blog foi criado para um desabafo meu e dos problemas que me rodeiam. Ou seja, não só são os meus problemas, que foram escritos e que escreverei, como também escrevo problemas de outras pessoas. Um dos meus outros objetivos com este blog, é desabafar e fazer perguntas com a intenção de responde-las por mais complicadas que sejam.
Já ouve textos meus que se podem chamar de "indiretas", mas quero parar com isso pois este blog não foi feito para tais coisas e acusações.
Sou uma adolescente, por isso sei o que passa muita gente da minha idade, e o que passam os mais novos. Dos mais velhos, apenas oiço o que me rodeia e dou a minha opinião achando o que é mais correto.

Planos de horários... Os mesmos... Publico os textos entre 19:00 e 22:30.
Um novo objetivo para o blog... Tentar ser o mais alegre e divertida possível. Não quero transmitir tristeza.
Bem, é tudo por hoje. Beijinhos e até amanha.

domingo, 16 de junho de 2013

Para Amigos e Idiotas

Desculpem por ontem não ter vindo, mas estive o dia todo fora de casa, e cheguei muito tarde.
Hoje também não vou escrever nenhum texto, pois não sei o que escrever...
Só digo isto: 


"Há dias em que queremos muito algo e nada acontece. Mas também há aqueles dias em que não esperamos nada e algo de muito de diferente acontece. "
"Amigo é aquele que, divide as coisas com você, que sabe do que você mais gosta, é aquele que te protege não por obrigação, mas por vontade. Amigo é simplesmente sua força para viver a cada instante feliz. E sabem... Eu escolhi os melhores. Eles que estão, e estiveram sempre comigo nos piores momentos. Ontem eu pude ver isso. Ontem, simplesmente amei TUDO, e posso ver que os amigos são uma parte de mim, e da minha família. "
"Ontem houve idiotas que me tentaram deitar a baixo, tentando fazer com que eu desistisse, mas eles não se lembraram de uma coisa... Eu não sou tão burra, eu já não sou tão fraca, mas principalmente, eu tenho pessoas que me apoiam e que estão sempre comigo. Por isso uma salva de palmas para essas pessoas que estiveram comigo a 100%, e uma GRANDE salva de palmas para aqueles burros e idiotas que foram fazer figuras de estúpidos ao achar que eram os maiores e melhores do que o resto."
"Amizade entre homem e mulher ? Existe sim e com certeza é a mais verdadeira que pode existir."

Isto é mais ou menos o resumo do dia de ontem. Um dia em que eu me diverti muito com todos os meus amigos.
Muita gente já deve ter lido estas frases pois eu as escrevi numas fotos e num estado no facebook. Mas eu quis partilhar também isto aqui.
Existem burros, existem idiotas, mas acima de tudo, existem aqueles amigos que nos vão apoiar independentemente do que for o problema.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Deixar De Parte Um Sonho

Nós queremos conseguir realizar sempre os nossos sonhos, as nossas expectativas, certo? Em tão porque deixar isso tudo de lado por alguém? As vezes, em certos casos, acho isso uma... bem... "treta"! Afinal, há pessoas que têm as portas abertas para realizar um sonho, e só tem essa oportunidade uma vez na vida, mas deixam isso de lado para ir ter com uma pessoa que dentro de uns tempos esta-lhe a deixar mal...
Eu luto por aquilo que quero, nem que tenha que deixar alguém mal para o conseguir. Não é ser má pessoa, não é ser má amiga, é ser boa comigo e viver bem comigo mesma.
Eu não estou a dizer isto para TUDO, há casos delicados, isso sempre... Mas eu estou a falar das coisas mais esfarrapadas que eu já vi e ouvi.
Muitos que lutaram durante um ano inteiro ou mesmo anos e anos, e que por algo ou alguém deixaram esse trabalho todo de lado. Para que tantos anos de luta? Enfim...
Eu acho interessante aquelas pessoas que podem estar mesmo mal de uma perna, mas como têm uma grande oportunidade mesmo há frente dos seus olhos, não deixam de jogar, não deixam de lutar por isso.
Não deixemos os nossos sonhos de lado, pois eles são quem nos fazem de nós alguém, e são eles que nos fazem lutar.
É só isto o que eu quero dizer... Pois isto é algo que mexe com a minha cabeça.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma Parte Da Vida

Antes eu dizia para ninguém me perguntar o que se passava, o que se passava comigo. Eu simplesmente não queria ver a verdade.
Agora digo que a mágoa não é para sempre, que haverá algo para nos afastarmos dela. Eu sempre irei dizer que estou bem, por mais que não esteja, por mais que algo me mexa. Irei rir, mas rir sinceramente, até à meia-noite. Já não irei enfrentar as coisas más com os olhos fechados, mas sim com eles abertos e rir, para assim sair.
Eu tentei me perguntar... "Deverei dizer que sim a tudo e a todos, para eles não ficarem bem? ou devo dizer que não para eu ser feliz?"Eu gostaria de saber a resposta, pois às vezes tudo parece tão complicado.
Não me estou a queixar, nem a ser lamechas... Estou, pronto, a escrever algo para hoje.
Os problemas não duram para sempre, nunca duraram. A escuridão se transforma em luz.
Antes, a mágoa era que fazia girar o meu mundo e eu caia sem parar. Mas agora tenho o
"Stop" no meu poder, e parei. Parei de ser aquela menina que ficava mal por tudo e por nada. Eu vi o que era o meu bem, e vi as vezes que cai se necessidade alguma.
Se eu ficar mal por ciúmes. Isso é uma coisa normal, é algo pesado.
A adolescência tem disto... E as vezes cansa. Mágoas a mais, tristezas a mais, chorar por tudo e por nada. Bem, é uma parte da vida, e um dia vou dizer "Mas porque chorei, eu, por isto!?"
Por isso eu digo... Irei eu ficar mais preocupada por isto?! Irei eu tirar ao lixo dias da minha vida?! NÃO! Irei viver esses dias até ao fim.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Nada Para Dizer (Frases)

Não tenho nada para dizer...
Vou dizer umas simples e duas frases que, acho, dão rumo ao que eu sou... (Ambas vindas da minha cabeça)


"Tenho dias em que me sinto estúpida... Oh espera... EU SOU! xD Por isso não te preocupes com as coisas que eu faço, falo, uso ou discuto. Sou estúpida e isso basta."
A serio... De valor a tudo aquilo que tenha a sua maneira de ser, mesmo que seja a pessoa mais retardada (posso dizer que esses são os meus amigos e eu) que possas conhecer na vida. Por mais que essa ou essas pessoas te envergonhem não as deixes por meras palavras, ou coisas, ou roupas que dizem, fazem e usam. Se os outros falam mal, deixa que falem, mas se tu fores embora para não ficares mal diante delas, é porque... bem amigo... não és mesmo um bom amigo. 
Vejam... Eu e os meus amigos podemos ser as pessoas mais retardadas em certos momentos, e é por isso que os adoro. Eu faço amigos sendo eu, sendo maluca, e aqueles que se afastam por isso, prontos "adeus" não me é importante.
Acho que todos devemos ter orgulho na nossa estupidez, pois mais vale fazer uma estupidez e rir com os outros, do que não admitir e ficar de cabeça para baixo com vergonha.
Cada um tem o seu estilo. Porque rebaixar ou deixar de parte por isso? É estúpido. Mas vá, temos que dar um desconto a esta sociedade onde respeito é raro.

"As portas podem estar todas fechadas, mas haverá sempre, mas sempre, uma pequena janela aberta." Eu digo sempre isto quando estou metida num problema. Isto diz-me, claramente, que por mais que o problema seja complicado haverá sempre uma solução por mais que não pareça. Todos os problemas têm as suas soluções, até pode haver milhares.

E é tudo.... Por agora. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Meu Pequeno Orgulho

Hoje não sei o que hei de escrever... Se dissesse que tinha muitas palavras mas que não tinha como escreve-las, era mentira.
Sabem.... Tenho saudades, saudades de chegar a casa e escrever o Bairro Assombrado. É um dos meus grandes orgulhos. Até hoje, na aula de português, a professora pediu-nos para escrever umas quatro linhas sobre algo com suspense e eu, nervosa porque só me vinha pensamentos e lembranças do
Bairro Assombrado, escrevi um bocadinho do que poderá vir, se houver, do Bairro Assombrado 2.
Eu sempre gostei de escrever histórias, e esta experiência ajudou-me a perceber que isso era uma das coisas que eu mais amo.
Quero voltar a agradecer a toda a agente que lê e que dá comentários bons sobre a história e sobre o blog. Não é só pelas escolas, que são muito boas, mas como o que me chega aos ouvidos de amigos, amigos de amigos, conhecidos, família, amigos da família, etc. É sempre boa, ótimo, ouvir/ler algo assim, pois dá-nos mais forças.
Agora acabei de ver que de já escrevi alguma coisa.
O que mais me deu orgulho em escrever, foi todos os pequenos, mas grandes, detalhes da historia. Acho que foi algo que me fez sentir que não sou parva, e que ainda uso a cabeça (estou a rir neste momento).
E agora tenho que ir pois vou ter que ir jantar (o meu pai vai ler isto e
TALVEZ se irá rir) e também porque acho que não preciso de dizer mais nada.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Bairro Assombrado (EXTRA)

(Aqui está o extra do Bairro Assombrado, onde a minha personagem foi esfaqueada por Coraline quando era um monstro. Ela morreu sem saber o porque de estar ali, o porque de Coraline ser assim. Morreu sem saber a história de Coraline.
Atenção: Quando eu disser o meu nome, não será com o meu verdadeiro apelido, mas sim com um apelido dado-lhe para fazer esta personagem. Esse nome será Molly)



E aqui esta ela, morta aos à minha frente. Eu não queria que isto fosse assim, isto não estava planeado assim. Matei-a eu, agora eu tenho que sentir esta dor dura que bate dentro do coração... Não o tendo...
Levantei-me pegando no seu corpo e levei-a até lá fora. Tudo estava mais calmo, pois ela, a humana, já estava morta. Levei-a até um mato longe do bairro. Era um mato sujo e velho, mas era lá onde os meus pais se encontravam, juntamente com muitas outros seres queridos dos que viviam cá... A nova cidade do demónio.
Escavei um buraco, já cansada. Começou a chover, mas aquilo não me ia parar. Agarrei outra vez no seu corpo frágil e, com cuidado, deixei-a ali. Voltei a tapar o buraco que tinha feito, a sua campa, e numa pedra escrevi o seu nome. Deixei a pedra, pressa, e nela deixei cair mais lágrimas que se camuflavam com as gotas da chuva.
Voltei o caminho para trás chegando de novo ao bairro. Sentei-e no chão chorando sem parar.
Comecei a recordar alguns momentos, comecei a lembrar-me do passado e do porque de a ter trazido para este mundo.
Sou Coraline, Coraline Parker. Em realidade eu tenho agora uns 16 anos tal como ela, que nem consigo dizer o nome. Morri aos 11 anos, juntamente com todos os que viviam neste bairro, mas uma parte de nós foi para o céu, a outra parte ficou aqui. Agora este bairro ficou desaparecido, como se nunca tivesse existido. Nunca mais vi os meus pais, nem nenhum familiar meu... Eles simplesmente não podem pisar este lado negro.
Quando o nosso novo pai, o demónio, nos deixou cá transformou-nos. Os mais fracos ficaram como fantasmas, Zombies e outras figuras, em quanto os mais fortes foram as suas criaturas. Cada bairro tem o sua criatura. Pelo menos não me tiraram da minha casa... Bem, se é que posso chamar de casa.
Eu quando era pequena tinha uma boa vida, era rica e mimada pelos meus pais. Tinha tudo o que eu queria, nem que fosse muito cara pois dinheiro não era problema.
Na minha escola, eu era a mais popular. Havia uma rapariga que eu adorava chatear, acho que por inveja... Em realidade, eu a defendia de tudo. Por mais que a chateasse eu sempre a defendia de muitos. Essa menina é a menina Molly. Essa menina que se encontra morta por mim. (Comecei a chorar de novo, mais forte e com mais dor.) Eu lembro-me que havia dias em que éramos chatas para ambas, outras em que eu a maltratava e outras em que nos dávamos lindamente.
Nessa altura eu amava louca mente uma música. Essa música chama-se
"Moon River". Eu cantava-a sempre, e alem disso quando foi o desastre o meu pai disse para começar a cantarolar essa canção. A razão por eu amar tanto essa canção, era porque eu e a Molly sempre a cantava-mos juntas. Foram bons momentos.
Eu a troce para cá para lhe pedir desculpa, para que ela me viesse visitar, para não me sentir sozinha... Mas acabei por estragar tudo.
Se ela agora vai ficar comigo? Não sei... Não sei se ela agora morreu em paz, ou se vai acordar do túmulo e vir até aqui, transformada em uma criatura horrenda.
Se ela se transformar em uma criatura, será minha, por isso ficará comigo... Mas duvido muito que isso aconteça.


(E aqui acabou tudo. Será que eu, Molly, me vou transformar ou morrer em paz?. Este é o fim. Obrigado a todos por seguirem o Bairro Assombrado e que tenham vivido isto tudo. Desculpem por ser distraída e por ter inventado ao longo destes tempos algumas palavras, muitas delas já corrigidas. Não sei se vai haver um "Bairro Assombrado 2" mas acho que não... Não sei... Isso depende de Molly, não de mim.)

domingo, 9 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte X)

(Anteriormente:
"Não vou chorar, vou lutar com os meus punhos, sem armas. Sei que estou a parecer maluca pois vou lutar contra um dos filhos do demónio mas não posso deixar-me impune e morrer sem ter feito algo para me tentar salvar.")

Olhei em meu redor e vi vários objetos que me podiam "salvar". Corri rápida mente, arriscando a minha vida, para apanhar um objeto, um pouco pesado, de madeira. Ela virou-se bruscamente para mim, e, ai, atirei-lhe com toda a minha força. Não lhe fez nem um risco na sua pele.
Continuei a tirar-lhe objetos mas nada, NADA!
Ela deu um riso maligno, como quase todas as vezes, e agarrou numa cadeira tirando-a para mim. Rapidamente me encolhi para baixo tapando a cara com os braços e consegui safar-me.
Não havia maneira de eu a magoar, a não ser que conseguisse sentimentalmente.
"Coraline" Gritei-lhe. "Sei que estas ai" Continuei. "Por favor acorda!". Nada, ela não reagia. Não sabia o que fazer, não tinha mais ideias.
Ela começou-me a atirar coisas duras e eu cada vez estava com mais feridas. Já sangrava por todo o meu corpo, e as minhas roupas estavam quase todas rasgadas.
Vi ao fundo da sala uns pedaços de cristais partidos. Fui a correr agarrar num bocado, e tentando ter pontaria, atirei-lhe. Acertei-lhe na perda, fazendo-a sangrar. Ela deu um alto berro e de seguida foi a passos largos na minha direção. Fugi dela. Ela apanhou uma peça, para ela mínima para mim enorme. Aproximou-se de mim e eu já não tinha mais espaço.
Ela ficou a olhar para mim mas com rapidez espetou-me com aquele pedaço de cristal na barriga.
Senti a minha respiração lenta. Olhei para baixo e vi aquilo espetado na minha barriga. Lágrimas caiam bruscamente dos meus olhos. Só queria morrer, mas isto estava a ir lento demais. Sentia a dor toda. Sentia-me viva, mas não sentia o meu corpo, pois a dor era mais forte.
Olhei para Coraline que estava a voltar para a sua forma normal.
Cai redonda para o chão húmido, frio e sangrento. Aquilo estava a demorar muito, só queria morrer!
Coraline olhava para mim, a chorar pedindo desculpa. Nada disse, pois nada conseguia dizer.
"Porque?" Disse-lhe quase sem força e sem voz. Ela continuou a chorar como se não houvesse amanhã.
"Perdoa-me" Disse-me sem me olhar nos olhos.
Comecei a ver tudo mais escuro e mais esborratado. A minha respiração era mais fraca, mais lenta tal como os batimentos cardíacos.
Iria morrer, iria morrer sem dizer adeus as pessoas mais queridas  sem saber quem é mesmo esta menina, filha do demónio que se chama Coraline que tem 11 anos. Iria morrer num outro mundo, iria morrer num sitio escuro. Eu não planeava morrer assim... Eu queria ter formado uma família, eu queria ter sido o orgulho dos meus pais... Mas aqui estou eu, na porta da morte, se é que já não estou, afinal já não vejo nada.
Uma última duvida dominou a minha cabeça... Será que eu vou morrer e não "existir", por assim dizer? Ou vou ser como a Coraline e transformar-me num monstro? Será que vou viver aqui?
Espero que não, espero ir para um sitio melhor onde posso vigiar e cuidar de todos os que necessitem  Ser o anjo da guarda para alguém.
Bem, já sinto uma luz ao fundo do túnel... Tem graça como agora para mim um túnel já é algo normal... Continuando... Já estou a ver a luz ao fundo do túnel, a minha vida acabou por aqui. Na realidade, porque Coraline me queria encontrar? Já nunca mais vou ter essa resposta.
Comecei a cantarolar a musica Moon River, tem piada não é? Cantei-a até chegar ao final do túnel. Mal cheguei disse "Adeus Vida" e entrei lá. Perdi os sentidos. Morri.

(E aqui ficou o fim desta historia "Bairro Assombrado". Obrigado a todos aqueles que estiveram a acompanhar. Este foi o fim, mas amanhã vai haver um EXTRA. Nesse extra vou explicar pormenores, onde vou responder as perguntas da minha personagem. Obrigado por terem acompanhado e por todas as palavras lindas que em deram.)

sábado, 8 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte IX)

(Anteriormente:
"A Coraline começou a ficar agitada e de repente fico toda vermelha. Raiva estava nela, evadida no seu coração. Temia,a gora sim, pela minha vida.")


E como se parecesse pouca coisa, ela começou a transformar-se. Começou a ficar parecida a um demónio  As pernas dela ficaram mais finas mas mais comprida. Todo o seu corpo crescia em espaço de segundos. Depois disso ficou com uma corcunda. Os cabelos começaram a ficar gastos e agora chegavam-lhe à cintura. Os olhos eram totalmente brancos sem pupila ou algo que lhe pudesse chamar de normal. Os seu lábios ficavam mais finos que quase parecia que tinham deixado de existir.Os dentes ficaram mais pontiagudos. Era um monstro canibal. Será que ia sair dali viva? Só com um milagre. Tal milagre que eu temia não existir nesta vida.
Ela testava uma figura horrenda dos piores pesadelos que possas imaginar. Figura com quase três metros, fininhas, com os olhos totalmente brancos, pela pálida, dentes grandes e pontiagudos, nariz afiado, com uma enorme corcunda, unhas grandes e afiadas, lábios finos e sangrentos
Ela girou a cabeça na minha direção e deu um sorriso diabólico. Não tinha salvação neste momento, era aqui o meu fim. Será que me vou safar? Isto é pior, é pior do que tudo o que andou a acontecer desde que cheguei a este bairro. Este lugar era a porta do inferno, é aqui onde muitos mortos se encontram, transformados em criaturas do diabo.
Ela começou a dar passos e eu andava muito rápido para não ser esmagada.
Ela parou, já não mexia nenhum músculo. Rezava pela minha vida, rezava para que alguém aparecesse e me levasse para um sitio seguro. Mas isto não é nenhum conto de fadas, isto é a realidade. Desde que cá cheguei estou entre a faca e a parede, e agora a faca está mesmo quase a matar-me. Só mais um movimento e poderia acabar por morrer.
A mesma frase rodava na minha cabeça "Será que vou continuar a viver?". Parecia um cd que só tinha essa faixa e não conseguia mudar.
Outras coisas vieram para o meu pensamento. E os meus pai? E a minha família? E os meus amigos? Eles devem estar muito preocupados comigo! Se eu for embora deste mundo, fui sem lhes dizer as últimas palavras. Eu não chorei até pensar nisto. Quero a minha família e amigos mais que nunca.
Tentei acalmar-me e cantei um pouco da musica
Moon River para ver se Coraline se acalmava.
Ficou calma e frágil durante uns segundos, mas depois voltou ao seu estado de raiva atirando com o sofá contra um pouco de parede que restava naquele lugar.
Porque não fugia? Coraline é rápida podia-me apanhar em milésimas de segundos. Eu simplesmente ficava no meu lugar, tal como ela no dela.
Dei um passo devagar para a esquerda, mas sem querer deixei-me cair no chão chocando com uma mesa onde uma jarra, que lá se encontrava, caio para o chão caindo em pedaços uns pequenos outros grandes.

Com esse ato estúpido a Coraline agarrou-me, levantando-me para cima e deixando-me cair no chão duro e frio.
Dei um berro de tanta dor. Parecia que tinha acabado de partir todos os meus ossos. Sentia-me pó e mil e uma lágrimas desceram violentamente pela minha pele.
Eu só queria viver! Eu só queria sair disto e ir viver a minha vida! Será muito pedir?! Eu só me pergunto o que fiz eu para merecer este pesadelo!
Eu pensava que o que tinha vivido nestes últimos dias tinha sido mau e que não poderia piorar, mas enganei-me redondamente.
Eu sabia que ia morrer, eu sabia que não iria haver como sair daqui viva. Eu sei que não estou num conto onde um príncipe vai aparecer-me e salvar-me. Não. Apenas estou eu, eu e eu. Apenas eu estou a lutar, apenas eu estou a defender. Fraqueza deixou de existir e iria lutar. Iria agarrar a minha última esperança que era conseguir trazer a Coraline simpática e boazinha de volta. Será difícil mas posso conseguir sobreviver. Se morrer sei que lutei pela minha vida.
Só queria um último abraço, só queria um último beijo, só queria um último "Adoro-te", mas não vou ter nada disso.
A minha vida começo a passar-me pelos olhos. As primeiras palavras, os primeiros passos, os primeiros amigos... TUDO! Comecei a recordar as promessas feitas e compridas e aquelas que aparam por ser falhadas. Recordei aqueles momentos que eram os mais felizes da minha vida, e aqueles que só estava fechada no quarto a chorar a dizer que a minha vida não valia nada. 
Eu pensava que já tinha sofrido tudo, mas nada se compara a isto. 
Não vou chorar, vou lutar com os meus punhos, sem armas. Sei que estou a parecer maluca pois vou lutar contra um dos filhos do demónio  mas não posso deixar-me impune e morrer sem ter feito algo para me tentar salvar.


(Amanhã publico a pate 10)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte VIII)

(Anteriormente:
"Saímos e demos caras com a casa. Estava destruída. A porta já não existia tal como as janelas e algumas paredes. Todos os objetos que se encontravam foram queimados e destruídos. Parecia que o inferno tinha passado por cá.")


Ouvi a menina a dizer umas palavras pela sua boca mas não percebi nada. Deixei passar.
"Não me perguntas nada?" Perguntou-me ela com a voz um pouco nervosa e chocada ao mesmo tempo.
Não percebi a sua pergunta. Do que estaria ela a falar? Não tinha nada para lhe perguntar, acho. "O que?" Perguntei-lhe com estranheza. "Bem, sempre insististe em saber o meu nome, e como não te recordas eu estou pronta a dizer." "Bem" Pausei. "Qual é?".
Ela deixou-se fluir por o resto daquela sala, daquela ex-belíssima casa. No fim acabou por se sentar no meio da sala olhando para mim. "Qual é?" Perguntei-lhe um pouco entusiasmada por saber qual era o misterioso nome dela. "Coraline" Disse-me com um sorriso meio forçado no rostro. "Como aquela do filme de desenhos animados?" "Não tola" Riu.
Aquele nome era tão familiar. Não sabia de onde ou de quem o era. A única coisa que me vinha à cabeça era uma menina de um filme, mas sabia que havia algo mais que isso. Se calhar de um conhecido? Bem, não era importante.
"Então... Já sabes quem sou eu?" Disse-me ela levantando o seu corpo do chão e andando de seguida até à minha beira. "Bem... Só sei que és uma menina que se chama Coraline e que tem 11 anos. E que teve uma história má com os pais que ainda não sei ao certo mas que não vou perguntei" Ela ficou encarando-me com os olhos abertos algo que me começava a assustar. O resto dela era frio e tenho a certeza que se a tocava o seu corpo estaria mais gelado do que o costume. "Fico chocado por não te lembrares de mim..." Disse-me. "Desculpa" Pausei. "Mas não sei mesmo do que falas. Deves ter-te enganado de pessoa" "Não!" Gritou-me. "Sim, és tu" Disse-me calma.
Deixei de remoer com ela naquela assunto. Já estava farta pois ela tocava sempre no mesmo botão a dizer que eu a conhecia. Ela ainda nem me perguntou o nome, nem idade, nem nada!
Ouvi um barulho vindo da minha barriga. A fome apertava cada vez mais acho que ia dar em maluca.
"Tens comida" Perguntei-lhe. "Eu sim?" Disse-me olhando com os olhos de má. Lembrei-me que ela está MORTA ou seja que eu poderia ser muito bem o jantar dela. Isso não me agrada nem um bocadinho. "Mas sou eu que tenho fome" Disse-lhe. " E que disse que eu não tenho?" Disse ela a ir na minha direção. "Porque tu supostamente estás morta, e supostamente não devias ter fome." Respondi-lhe. Ela não me respondeu, nem me deitou olhares, nem nada. "Por favor da-me comida" Disse-lhe cariciosamente.
Ela saio do seu sitio e em segundos desapareceu da minha vista. Como o pó com um simples sobro se espalha mas não deixa marca no lugar.
Comecei a contar números sem ordem ou sentido apenas para passar o tempo.
De repente, em segundos, a figura da Coraline apareceu à minha frente com uma sandes e um sumo. Vou ser sincera... Tinha medo do que fosse aquilo.
"É comestível?" Perguntei-lhe com medo da reação dela. "Se não comes tu, como eu que não há problema com isso" Disse-me seca e fria com uma expressão dura no rostro. "Eu como".
Comecei a comer e aquilo não estava tão mal. Tinha um paladar estranho mas não me atrevia a perguntar o que era, pois o meu medo era a resposta.
"Se estás morta... Porque tens sentimentos?" Perguntei-lhe em quando comia. "Não sei... Nada aqui é normal" "Lá nisso tens razão".
Continuei a comer e em espaços de segundos acabei com a comida.
"Porque tens esses tiques de bipolaridade?" Perguntei-lhe.
É verdade... Ela é muito bipolar. Num momento está bem comigo e depois está mal. Ela faz-me lembrar aquela rapariga da escola que vos falei a algum tempo. São muito parecidas em certos aspectos.
A Coraline começou a ficar agitada e de repente fico toda vermelha. Raiva estava nela, evadida no seu coração. Temia,a gora sim, pela minha vida.



(Amanhã publico a parte 9)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte VII)

(Anteriormente:
"E tu?" Perguntei-lhe. "Eu não irei morrer" Riu. "Porque?" "Bem... Eu já estou" Riu alto e forte.)

Por um lado não era estranha a sua afirmação pois o seu aspeto era horrendo e transmitia terror. Mas também nunca pensei que ela estivesse morta na realidade. Ela tem sentimentos. Como pode ela estar morta? Na verdade, nada disto é normal.

No meio daquela confusão todo apareceu uma luz forte que iluminava toda esta sala. Era forte e previ que se olhasse diretamente para o centro de donde vinha esta poderia ficar cega.
Acompanhado desta luz vinham os gritos e ruídos da parte exterior da sala. Cada vez estavam mais altos e mais fortes.
De seguida a luz ficou mais branda e calma conseguindo fazer com que os meus olhos se abrissem, lentamente. Vi de onde vinha a luz. Era da porta. Ela se encontrava aberta e dela saiam Zombies, fantasmas e outras figuras aterradoras que lia nas histórias de ficção quando era mais nova. Estavam todas ali a minha mercê, ou melhor... Eu a deles.
Estavam todos a vir com passos lentos para mim. Eu simplesmente andava para trás o mais lento mas mais rápido possível.
A menina continuava sentada a olhar para à frente sem expressão no rosto. Parecia uma estátua. Parecia que se tinha ido deste mundo e que provavelmente me iria deixar ali morrer. Seria agora mesmo o meu fim?
Senti algo duro e frio a embater contra as minhas costas. "O não" Pensei. Tinha acabo de chocar contra à parede. Tinha um sentimento enorme de deixar cair lágrimas mas nada saia. Já não as tinha. O meu coração estava a mil, sabia que agora era o meu fim. Comecei a olhar para cada
"coisa" que estava quase em cima de mim e depois deslizei o meu olhar para a menina que continuava no mesmo lugar sem piscar os olhos. Semicerrei os olhos e disse devagar e baixinho "Ajuda-me"
Abri os olhos novamente e vi a menina a olhar para mim. Vi ela a levantar-se e a ir ao meu lado. Meteu-se à minha frente e começou a cantar a musica Moon River.
Ela cantava-a com os olhos fechados dizendo palavra por palavra. Os 
 Zombies, fantasmas e as outras figuras aterradoras começaram a ficar mais calmos. Posso dizer que até mesmo o ambiente ficou mais calmo. Não se ouvia nada sem ser a voz dela.
Ela começou a dar passos lentamente ao som da melodia. Acompanhei-a. Eles começaram a abrir caminho para nós em direção à porta.
Parecia que estavam 
enfeitiçados, parecia que agora eles estavam em paz.
Chegamos À porta e ela, fazendo sinais, mandou-me sair. Assim o diz. Logo de seguida ela saio, ainda cantando e fechou a porta.
Parecia que tudo tinha voltado ao normal pois os gritos e ruídos voltaram.
A menina meteu-se à minha frente voltando a percorrer o túnel onde já tínhamos estado antes.
Saímos e demos caras com a casa. Estava destruída. A porta já não existia tal como as janelas e algumas paredes. Todos os objetos que se encontravam foram queimados e destruídos. Parecia que o inferno tinha passado por cá.



(Amanhã publico a parte 8)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte VI)

(Anteriormente:
"Cai redonda no chão e as últimas palavras que ouvi da boca dela foi "Tens que ter cuidado com as palavras".
Sentia-me tonta e já tinha os olhos fechados. Sentia-me consciente ou seja que morta não estava.")

Abri os olhos rapidamente. Desta vez não tive sonhos ou nada do género. Simplesmente tive como um enorme desmaio. Estava deitada no chão. Deixei-me estar sem me mexer menos os olhos. Olhei para todo o lado e não vi ninguém. Ainda continuava na mesma sala, mas não havia sinais da menina. Teia ido embora?
Levantei-me ouvindo uma voz... Melhor dito... A sua voz. "Finalmente acordaste!" A voz dela estava calma e suava, e digamos que estava cheia de felicidade nela. Não conseguia olhar para trás pois o medo estava em mim. "Mas foi por tua culpa que desmaiei" Disse-lhe com medo sem me virar. "Em realidade..." Pausou. "... Bem..." Pausou novamente. "Sim?" Virei-me olhando para ela tirando o medo todo de mim. "Desculpa..." Disse ela baixando a cabeça.
Ela parecia tão indefesa neste momento que não havia como não acreditar naquelas palavras. Parecia que as palavras eram mesmo sinceras e não havia malícia nelas, mas poderia ser mentira. Eu não confio nela. "Desculpa?" Disse-lhe fazendo-me de desentendida. "Desculpa" Disse-me ela fazendo uma pausa. "Eu não te devia ter gritado... mas falar sobre os meus pais é algo... bem... traumático". Por muito que queira perguntar-lhe o que aconteceu não podia, pois tinha que lhe respeitar.
Ela estava sentada na sofá deixando um espaço ao pé dela. Sentei-me lá.
"Há quantas horas estive desmaiada?" perguntei-lhe. Ouvi um riso, não mau pelo contrario. Era um riso bom que me fez sorrir. "Eu já não chamava isso de simples horas" Disse-me. Esta não percebi. "Em realidade não foi bem um desmaio. Aquilo que eu te fiz foi fechar-te num sono profundo. Na realidade ias morrer mas tiveste sorte. Se tivesse passado mais um dia já não estarias aqui para falar comigo." Disse-me a rir. "E quanto tempo estive naquele estado" Disse gaguejando. "Uns três dias dias" Riu. "Três dias!" Disse alto e com boa voz.
Fiquei sem resposta. Levantei-me e comecei a dar voltas por todo o lado. Ouvi um barulho vindo de mim. Era fome a chamar por comida.
"Tenho fome" afirmei-lhe. "Temos pena" Respondeu-me.
Bufei. Comecei a pensar nestes últimos dias e olhar para a rapariga. Lembro-me quando ela me disse "Não julgues o meu aspecto pois eu posso ser o teu bem mais precioso". Se calhar ela não é assim tão má como eu pensava que era. Se calhar eu vou sair daqui viva. Mas ela também já me disse coisas más. Ela já insinuou que me ia matar... Porque haveria de acreditar nela? Porque haveria de acreditar nas palavras mansas dela?
"Os Zombies?" Perguntei-lhe. "Devem ter ido, nunca mais os vi." Respondeu-me.
Aliviei-me, mas esse alivio durou por pouco tempo pois ouvi um estrondo enorme vindo de lá de fora.
"Parece que ainda estão cá." Disse-me ela com calma e pacifica. " E agora?". "Agora se morreres morres, e se não... Bem... Acho que irás morrer."
Eu não queria que o meu fim fosse ali. Eu não queria morrer.
Ouvimos mais e mais estrondo, o que pareciam ser umas grandes armas de fogo.
A porta por onde entramos começou a mexer e parecia que toda a sala se agitava.
A menina não se mexia e continuava fixa no mesmo lugar.
"E tu?" Perguntei-lhe. "Eu não irei morrer" Riu. "Porque?" "Bem... Eu já estou" Riu alto e forte.

(Amanhã publico a parte 7)

terça-feira, 4 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte V)

(Anteriormente:
"Estava com sangre seco por quase todo o corpo. Mas aguentei-me, agora o que importava era sobreviver, se é que isso poderia realmente acontecer.")

Vi uma porta pequena de ouro à minha frente. Era a saída do túnel. Outra vez, vários pensamentos deram voltas na minha mente. Onde iria eu agora? Um lugar melhor que os outros?
Uma parte de mim tenha um pouco de curiosidade em saber o que era, mas a outra não. Como diz o ditado,
"A curiosidade matou o gato" e simplesmente não queria ser o jantar de hoje.
Devagar, abri a porta ouvido de seguida um ruído fininho. Não foi algo assustador ou doloroso para os meus ouvidos, pois já estava habituada.
Entrei pela pequena porta e seguidamente a menina veio atrás de mim. Levantei a cabeça e vi um lugar, digamos com isto tudo, muito mais bonito e requintado. Parecia ter sido um lugar de réis e rainhas, o salão onde as damas dançavam com os seus longos vestidos. Agora o material estava sujo e gasto, coberto de pó. Era escuro mas a luz da lua entrava pelas cortinas esburacadas. O chão não era de madeira e era cinzento, ou talvez branco mas com o longo dos anos o material veio a estragar. Havia um enorme sofá gasto de cor vermelha ao fundo da sala juntamente com umas cadeiras com as mesmas características. Havia uma mesa enorme do outro lado. Era um amarelado escuro sem brilho onde em cima estavam uns pratos, copos e umas flores mortas. As paredes era iguais ao chão e nelas se encontravam quadros perdidos com o tempo.

Dei uns passos em frente olhando para todos os lados vendo cada pormenor, cada detalhe até o mais mínimo dos requintes. Mesmo com o estado em que está, estou maravilhada.
Vi um pequeno armário que se encontrava ao canto daquela maravilhosa sala. Cheguei-me perto dela ajoelhando-me. Era um pequeno armário de madeira. Destacava-se naquela sala pois era de tons rosas. Era como aqueles armários que se compram para guardar as roupas e os sapatinhos dos bebés. Abri-a e dentro continha umas fotografias e uma caixinha de ouro. Vi as fotos e via uma família feliz. Em todas as fotos apareciam as mesmas pessoas. Era uma senhora de tamanho médio com longos cabelos pretos, depois um senhor alto com cabelos pretos e curtos, e por últimos estava uma menina pequenina com o cabelo médio preto. Em todas as fotos os três tinham sorrisos enormes.
Olhei atentamente para a menina da foto e, não sei porque, reconhecia a sua carinha, a sua postura e o seu sorriso. Agarrei-a e levantei-me. Ouvi uma voz atrás de mim a dizer "Deixa isso" Disse a menina. Virei-me para ela e perguntei-lhe "Sabes quem são?" ao mesmo tempo que apontava. Ela demorou algum tempo, mas com um simples bafo respondeu "Não". Suspirei e deixei a foto onde estava. Mas de seguida os meus olhos apontaram para a caixa de ouro. Abria com cuidado e lá se encontrava umas pulseiras de ouro, brincos de prata e um colar com um coração. Vi que o coração dava para abrir mas mal consegui. Deixei aquilo de lado e virei-me. A menina estava sentada no sofá a descansar.
Olhei para ela e vi que ela focava o seu olhar na parede à sua frente onde não havia nada. Pensei se ia ou não, mas lá decidi ir. Aproximei-me dela e sentei-me na cadeira que estava a direita do sofá. Fiquei a olhar para ela. De repente ela vira a cara e pergunta-me brutalmente "Que queres!?". "De quem é isto?" perguntei-lhe. Ela baixou a cabeça fixando o olhar nos seus pés. Vi uma lágrima a cair no chão seguida de outra. Ela limpo-a rapidamente. "Bem... Esta casa era dos meus avós e este era um lugar secreto onde eu vinha sempre que precisava" Fez uma pausa. "Mas antes nada era assim".
Olhei para baixo pensando no que podia ter acontecido. Onde estarão os avós...? Ou melhor... Onde estão os pais dela?
"Os teu pais?" Perguntei-lhe.
Ela congelou. De repente ela começou a fazer uns barulhos gigantes e horríveis. Começaram-me a doer as orelhas pois parecia que iam arrebentar. "Para!" Gritei-lhe com dom e piedade. Não me ligou nenhuma.
Com aquilo tudo comecei a ver tudo a andar à roda e só me lembro de vê-la a olhar para mim com um olhar que matava a todo ser humano.
Cai redonda no chão e as últimas palavras que ouvi da boca dela foi "Tens que ter cuidado com as palavras".
Sentia-me tonta e já tinha os olhos fechados. Sentia-me consciente ou seja que morta não estava.


(Amanhã publico a parte 6)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte IV)

(Anteriormente:"Não te preocupes porque não te vou matar com isto... A não ser que te portes mal" Sorriu de lado.")

Eu sabia que a minha confiança não era compatível com ela... Ela está apenas a gozar comigo! Ela quer proteger-me para depois matar-me. Pelo menos foi assim que ela tento transmitir com aquelas palavras.
Engoli em seco. Semicerrei os olhos e contei até três para me acalmar. Seria mesmo possível isto? Do todo ainda não acredito nisto que anda acontecer. Parecia que já se tinham passado dias desde que estou ali, mas o meu relógio não dizia o mesmo.
A menina encontrava-se em frente à parede onde estavam penduradas fotos antigas. Não conseguia ver muito bem quem se encontrava nelas mas havia uma figura familiar. Mas volto a repetir... Eu não estava a conseguir ver muito bem o conteúdo por isso não tinha certezas.
Vi ao fundo da sala o que parecia ser um telefone. Parecei um daqueles antigos de cor bege. Estava um pouco longe do telefone mas já conseguia ver o pó e as teia de aranha que se encontravam nele.
Tentei-me mexer sem fazer barulho pois para o meu bem é melhor que ela não me veja. Fui com calma e sem presas. Toquei suavemente com o pé no chão de madeira, mas um rachar foi ecoado pela casa. Rapidamente voltei a deitar-me como estava antes. A menina virou lentamente a cabeça olhando-me. "Ias para onde?" Disse ela em quando vinha para mim. Não lhe respondi mas sem querer apontei com os olhos para o local onde estava o telefone. Ela seguiu o meu olhar e logo riu. Um riso maligno.
Ela ando até o local daquele objeto que me podia ter salvo a vida. Riu e agarrou no fio que se encontrava cortado. "Parece que este teu amigo se encontrava cortado" Riu "Estavas quase a fazer asneiras, amiga" Deu uma forte gargalhada que me ecoou na cabeça. "Não sou tua amiga!" Gritei-lhe. "Shhh" Disse ela em quanto se aproximava de mim com um dedo em frente aos seu lábios. "Somos amigas" disse ela com um sorriso. "Não somos amigas! Eu não sei quem és, não sei o teu nome, e não te conheço!" Gritei-lhe. Ela apenas ficou sem dizer uma única palavra. Ela tinha os olhos arregalados e uma lágrima caio pelos seu olhos direito. Ela ficou mais calma mas de repente os olhos dela ficaram vermelhos agarrando de seguida com a mão esquerda a arma que se encontrava no chão. Ela apontou rapidamente a arma à minha frente.
"Não te lembras de mim!" Gritou ela a chorar para mim. "Nunca te vi! Nem sei qual é o teu nome!" Disse-lhe, mas não gritei pois não estava na altura certa para tal coisa. "Eu só não te mato agora porque ainda é muito cedo".
Mas cedo para que? Não a percebo... Acho que ela está a fazer confusão, ela deve pensar que sou outra pessoa, outra rapariga.
As lágrimas dela secaram e deixou cair a arma ao chão. Mas depois disso ouvimos um grande estrondo. Ambas olhamos para a porta e tinha acabado de ser arrombada pelos Zombies.
Cada vez mais o aspeto deles era pior. A menina olhou para mim e rapidamente agarrou na minha mão. Eles eram mesmo muito lentos, enquanto ela era muito rápida.
Subimos uns quantos degraus velhos que estalavam fazendo uns ruídos exagerados. A menina levou-me até um quarto ao fundo do corredor onde apenas tinha uma cama e umas portas na parede. Ela abriu as duas portas e havia um monte de roupa. Tirou-a e começou a fazer uns desenhos no fundo. De seguida abre-se fazendo um portal. "Entra" Disse-me ela. "E tu?" perguntei-lhe com preocupada. Se ela está a fugir deles é porque também não está muito bom para o seu lado. "Eu vou atrás de ti" Disse-me. " Agora rápido!" Ordenou-me.
Entrei lá dentro. Era um espaço pequeno, por isso tinha que ir de gatas. Olhei para trás e ela estava a fechar primeiro as portas do armário e depois as portas deste tonel. Continuei a gatinhar sempre em frente. As minhas mãos estavam todas nojentas por causa de ter agarrado a menina pela mão. Estava com sangre seco por quase todo o corpo. Mas aguentei-me, agora o que importava era sobreviver, se é que isso poderia realmente acontecer.

(Amanhã publico a parte 5)

domingo, 2 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte III)

(Anteriormente:
"Não resisti e fechei-os. A última coisa que ouvi foi a voz da menina "Por favor agora não" mas acho que foi tarde demais... Acabei por adormecer.") 

"Onde estou?" Perguntei-me. Agora estava bem, não sentia a dor, melhor dito, não sentia nada. Levantei-me e olhei para o meu redor. Encontrava-me num espaço em branco, sem portas e sem saídas. "Onde estou?" Perguntei-me de novo. "Alguém?!" Gritei.
Não obtive resposta, apenas ouvi o eco da minha voz por todo aquele lugar. Parecia que estava noutro mundo, um mundo onde nada continha, onde parecia que se tinham esquecido de continuar a pintura.
Comecei a andar sem direção alguma, penso eu. Em total já tinha dando 20 passos e tudo continuava na mesma, sem linhas, sem sinais, sem portas ou sem paredes.
Uma musica começou a ser cantada na minha cabeça e recordei a melodia daquela menina com apenas 11 anos. Agora já sei que melodia era aquela... Era sem mais nem menos a melodia da musica "Moon River". Lembro-me de ser uma uma menina pequenina que ouvia sem parar essa música. Para mim era fascinante sem sequer saber o que dizia. Lembro-me que havia uma amiga minha que a cantarolava todos os dias de manha ao chagar à escola. Até que um dia ela desapareceu sem deixar rasto. Há quem diga que ela teve um acidente, há quem dia que foi raptada ou há quem diga que simplesmente se mudou. Mas sinceramente eu não me importava pois era uma criança naquela altura, e não pensava nesses casos. Em realidade eu nem me dava com ela. Ela era uma menina mimada que tinha tudo o que queria. Tratava mal aos outros e lembro-me que um dia lhe disse umas palavras um pouco más a favor. Essas palavras eram "Espero que um dia todo o mal que nos fazes te façam sofrer a ti". Na realidade eu não tinha culpa do que tinha dito... eu só estava farta do que ela fazia a todos os que se encontravam ao seu redor. Agora sinto-me mal, pois lembro-me que me diziam que ela me defendia muitas vezes há frente de outros.
Depois veio-me à cabeça o bairro onde estive, o bairro fantasma. Será que existiu ou foi fruto da minha imaginação? Na verdade não sei... Aquilo parecia tão real. Não só o toque parecia real, nem a visão, mas sim o cheiro. O cheiro enjoativo daquele lugar era mesmo sobrenatural mas era tão forte que poderia dizer que era bastante real.
Continuava eu nos meus pensamentos a te ver uma luz ao fundo disto que podemos chamar de tonel. Comecei a correr na sua direção até ver uma grande porta de madeira velha e estreita. Mal ia abrir começo a ouvir a melodia de "Moon River". "Aquela voz..." Pensei. "É ela!" Sim, era a menina. A menina que até agora não me disse o nome, que até agora me veio a assustar. 
Ela continuava com a melodia até dizer as palavras "Acorda rápido". As dores todas voltaram. Encolhi-me de dor, estava a ficar sufocada. Parecia que o meu corpo me ia comer pouco a pouco.
Olhei para o meu redor e vi tudo a desaparecer até que ouvi um grande tiro.
Acordei sobressaltada com a respiração ofegante. À minha frente estava a tal menina com o mesmo estado horrível de antes. Olhei para o meu redor e ainda me encontrava na mesma cara, no mesmo bairro. Um armário enorme de madeira encontrava-se À frente da porta fazendo pressão. As janelas estavam todas fechadas com pedaços enormes de madeira, todas elas velhas e sujas.
"Já estas melhor. Estavas a arder em febre" Disse a menina olhando-me. Não lhe respondi, ainda estava em choque. O espaço branco tinha sido um sonho, mas o bairro não. Ou seja, que ainda estava em perigo.
"Ainda te dói o cabeça?" Disse ela. Neguei com a cabeça. Na verdade já estava melhor. "Ótimo" Disse-me ela com um sorriso por um lado simpático mas por outro lado tenebroso.
"Quem és?" Perguntei-lhe assustada e com medo da resposta. Uma ideia surgiu-me na cabeça.... E se ela não é uma rapariga mas sim um monstro. Ela não parece simpática, mesmo que demonstre que está um pouco preocupada comigo. Se ela fosse de todo má teria-me deixado morrer no meio dos Zombies, teria-me deixado morrer da febre que tive. Não me teria acordado da aquele sonho.
"Já te disse que não precisas de saber quem sou!" Gritou. "Alias, tu sabes quem sou eu!" Disse ela mais alto dirigindo-se para o meu lado direito.
Lágrimas caíram pelo meu rosto de novo. Mas quem é ela!? O que quer de mim!?
Lembrei-me do tiro que me fez acordar sobressaltada do sonho. De onde veio? Seria real? Enchi-me de coragem e perguntei-lhe,
"Sabes de onde veio o tiro?" Ela levantou-se indo em direção a uma pequena caixa vermelha que se encontrava no chão ao fundo da sala. Era uma caixa de tamanha médio de um vermelho gasto e queimado. Ela ajoelhou se perante a caixa e abriu-a. Montes de pó caíram da caixa ao levantar a tampa para cima. De lá tirou um objeto que ainda não era visível para os meus olhos. Ela ficou estável no lugar perante uns segundos mas logo recuou para mim. Vi que nas suas mãos não delicadas encontrava-se uma arma de fogo.
"Fui eu" Disse ela com um sorriso na cara. "Não te preocupes porque não te vou matar com isto... A não ser que te portes mal" Sorriu de lado.

(Amanhã publico a 4 parte)

sábado, 1 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte II)

(Anteriormente:
"Estas sozinha pequena?" Perguntei com as palavras mais calmas que conseguia.
De imediato tive uma resposta. "Não importa se estou sozinha ou se não... Não julgues o meu aspecto pois eu posso ser o teu bem mais precioso".)

Fiquei confusa neste momento. Estaria esta menina a brincar para encher a minha cabeça de perguntas? Seria ela mais esperta que eu? Ela quer baralhar a minha cabeça.
De repente comecei a sentir um grande aperto no coração. A minha respiração começou a ser lenta mas forte permitindo que os meus batimentos não parassem neste momento. Meti a minha mão no peito tentando respirar devagar.
Olhei para a cara da menina e ela encontrava-se com o rosto preocupado. "Oh não..." Disse a menina.
Eu encontrava-me com maiores dores, mas agora não era só no coração mas como também na barriga. Já não sentia as minhas pernas com esta dor todas, por isso deixei-me cair no chão frio e húmido.

A menina começou a correr dali para fora e o único ação que fiz foi gritar-lhe "Espera! Onde vais?" "Fica aqui, eu já volto!" Respondeu ela já do outro lado da rua.
A única coisa que conseguia fazer agora era chorar e pareciam que todas estes litros de agua não acabavam.
Vi um pedaço de espelho apenas a um metro de distancia de mim. Fiz toda a força que conseguia para alcança-lo e lá consegui. Apontei-o para o meu rosto e vi o meu estado. Parecia uma alma penada, estava toda branca, com o lábios gretados e roxos. Os meus olhos tinham perdido todo aquele brilho que tinham. Agora estavam mais escuros e mais pequenos. Não só o meu rosto estava mais frio como o meu cabelo mais claro e mais triste.
Comecei a ficar com muito frio. Parecia que a temperatura tinha baixado 10ºC assim de repente.
Comecei a ouvir sons. Levantei a mirada para cima e vi montes de "pessoas" a chegaram-se ao pé de mim. Pareciam Zombies. Eles todos com roupas desfeitas e horrendas. Não só isso como também vinham todos cheios de sangre pelo corpo fora.
Era agora, era agora o meu fim. Agora parecia que a minha vida passava-me pelos olhos, cada segundo, cada nota, cada sorriso e cada desgosto. Só há uma coisa que não encaixa nisto tudo... Afinal, como é que vim aqui parar? Só me lembro que tinha acabado de sair da escola. Hoje ia sozinha, por isso agarrei no meu telemóvel e nos phones e comecei a ouvir musica. Como sempre era uma musica calma e relaxante que me ajudava a pensar no dia de hoje.
Comecei a dar passos pelo caminho de pedras em direção à minha casa. Não ficava muito longe e já sabia o caminho de cor. Fechei os olhos para ir mais leve e descansada. Comecei a sentir-me bem e parecia que o mundo era só meu. Alem disso parecia que o tempo estava do meu lado, pois havia um sol reluzente e o céu estava limpo.
Mas de repente comecei a sentir umas grandes correntes de ar. O sol parecia que tinha desaparecido e comecei a ouvir como uns corvos. Abri os olhos e estava numa floresta, para mim desconhecida. Não era bonita e tinha um ar tenebroso. Olhei para trás e não vi saída. Pensei o pior... Eu estava perdida...
Mesmo naquele momento enchi-me de coragem e comecei a andar a ver se encontrava a saída para voltar a casa.
Continuei a andar para ver tudo o que estava ao meu redor. Apenas parecia um caminho sem fim pois as árvores tinham todas as mesmas formas e cores. Até que cheguei ao pé de uma árvore que tinha uma placa... A placa estava toda suja e as únicas letras que se conseguiam ver era a primeira e a última, pelo menos é o que eu acho...
Segui a placa e cheguei ao local onde me encontro agora rodeada por estes monstros todos.
Já estava a rezar pelo meu fim até que oiço o ruído de uma mota a vir na minha direção.
Quem a guiava era a menina. "Agarra o meu braço!" Gritou ela. Quando ela se aproximou agarrei-a subindo assim rapidamente para trás dela.
Ela guiou-nos até a casa
"nova". Agora de perto parecia mais bonita, mas com este ambiente todo não era um lugar acolhedor.
Eu estava a ficar sem forças, estava a ver tudo à volta... A menina levou-me ao colo, entramos dentro da casa e deixou-me no sofá. De seguida foi a correr até à porta para fecha-la bem.
"Porque me salvas?" Perguntei-lhe. "Não me faças perguntas... Tu sabes a resposta, alias tu sabes quem sou... Tu sabes que eu sou o teu bem mais precioso"
Nada respondi. Na verdade eu estava perdida com isto... Afinal, ela quer o meu bem? E como assim eu sei quem ela é? Eu não faço a mínima ideia. Só espero que isto seja um pesadelo e que vou acordar na minha cama, no meu quarto.
Estava a ficar com sono, e os meus olhos começaram a fechar lentamente.
"Por favor não os feixes" Disse-me ela com cara triste mirando-me. "Tenho sono" Respondi. "Tenta só esperar umas horas" Mas como é que ela conseguia estar tão calma nestes momentos... E porque me está ela a salvar? Sinceramente não confio nela. Sempre ouvi que não devemos confiar em estranhos principalmente quando parece que vieram de um filme de terror...
Não resisti e fechei-os. A última coisa que ouvi foi a voz da menina "Por favor agora não" mas acho que foi tarde demais... Acabei por adormecer.

(Amanhã publico a parte 3)