Estava ali, eu, com os olhos fechados, mas sentia a solidão e a escuridão a apoderar-se do meu corpo.
Comecei a ficar sem ar, mas tossir era algo que eu não queria fazer. Tenho pânico a bichos. Pensei e comecei a fazer movimentos bruscos. Já conseguia decifrar onde estava. Sentia um tipo de terra mole mas rijo ao mesmo tempo. Começava-me a arranhar cada vez mais. Estaria eu enterrada? Mas porque? Não me lembro de nada, e não sei se me irei lembrar.
Já conseguia sentir ar na minha mãe direita. Já estaria no topo da cova. Levantei-me, bruscamente, com todas as minhas forças e abri os olhos. Olhei à minha volta e vi que me encontrava num cemitério. Não era um normal. Era escuro, solitário. O próprio céu era cinzento e o sol era escuro. As árvores eram pálidas e carecas, e os caminhos eram retorcidos e perdidos. Olhei para a direita e para a esquerda. Não via nada.
Comecei a sentir umas cocegas nas minhas pernas. Olhei para baixo e dei um berro levantando-me a correr limpando-me. Era uma aranha que se encontrava nelas. Bem preta e bem peluda.
Olhei para mim. Estava suja, tinha as roupas rasgadas e não havia um único pedaço de pele do meu corpo que não se encontrava com arranhões ou cicatrizes.
Olhei para os caminhos que lá se encontravam. Havia três. Um tinha o nome de Psychoville. O segundo tinha um nome bem estranho. Nome esse que não me iria esquecer. O nome dado a esse caminho era Blood Village. Por último estava um caminho, menos assustador que os outros, que não tinha nome. Parecia que um animal monstruoso, com garras do tamanho da minha cara, tinha rachado aquela placa.
Olhei para os três caminhos, e decidi andar por o caminho sem nome. Era o menos assustador, mas não deixava de ter o seu ar tenebroso.
Comecei a andar, quase a rastejar, por aquele caminho. Olhava para as árvores onde via cada bicho que não me iriam passar pela cabeça, nunca. Vi um que me chamou muito a atenção. Era como uma espécie de pombo. No inicio parecia normal, mas depois deixou de ser. Esse "pombo" tinha duas cabeças. O pico dele encontrava-se com enormes dentes e enormes línguas. Mas não era só isto. Eles, cada vez que os olha, cuspiam fogo. Não fugi, apenas não voltei a olhar.
Parecia que aquele caminho não tinha fim. Mas a cada passo que dava as corrente de ar eram mais fortes e mais frias. Por mais incrível que pareça não tinha frio. Nem frio, nem medo de nada.
Estava a andar, descansada, quando senti um movimento pela direita. Olhei para lá, mas nada vi. De repente voltei a sentir a mesma coisa mas para a esquerda. Olhei e nada.
Comecei a andar, outra vez, calmamente, pois aquilo podia ser fruto da minha imaginação por causa do vento.
Na verdade eu estava sempre a ouvir esse barulho, e parecia bastante real.
Olhei para trás e vi um monstro. Era do dobro da minha altura. Peludo, de cor laranja. Tinha três olhos e pequenos dentes, mas afiados. As garras dele eram enormes.
Andei um passo atrás. Comecei a ouvir um pequeno assobiar vindo de cima, que cada vez era mais alto. Olhei para cima e vi algo grande a cair. Afastei-me e fechei os olhos, metendo os braços à frente da cara e ouvindo de seguida um estrondo.
Senti um pouco de poeira a passar pela minha cara, e logo abri os olhos. À minha frente, onde estava o monstro, encontrava-se um enorme piano de cauda. Era branco, e estava limpo. Não havia rastro do monstro, teria desaparecido.
Aproximei-me do piano, onde de lá saiu um banco. Sentei-me e comecei a tocar uma melodia. Era calma, mas comecei a revoltar-me. Eu, estava apenas a tocar os meus sentimentos.
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