segunda-feira, 3 de junho de 2013

Bairro Assombrado (Parte IV)

(Anteriormente:"Não te preocupes porque não te vou matar com isto... A não ser que te portes mal" Sorriu de lado.")

Eu sabia que a minha confiança não era compatível com ela... Ela está apenas a gozar comigo! Ela quer proteger-me para depois matar-me. Pelo menos foi assim que ela tento transmitir com aquelas palavras.
Engoli em seco. Semicerrei os olhos e contei até três para me acalmar. Seria mesmo possível isto? Do todo ainda não acredito nisto que anda acontecer. Parecia que já se tinham passado dias desde que estou ali, mas o meu relógio não dizia o mesmo.
A menina encontrava-se em frente à parede onde estavam penduradas fotos antigas. Não conseguia ver muito bem quem se encontrava nelas mas havia uma figura familiar. Mas volto a repetir... Eu não estava a conseguir ver muito bem o conteúdo por isso não tinha certezas.
Vi ao fundo da sala o que parecia ser um telefone. Parecei um daqueles antigos de cor bege. Estava um pouco longe do telefone mas já conseguia ver o pó e as teia de aranha que se encontravam nele.
Tentei-me mexer sem fazer barulho pois para o meu bem é melhor que ela não me veja. Fui com calma e sem presas. Toquei suavemente com o pé no chão de madeira, mas um rachar foi ecoado pela casa. Rapidamente voltei a deitar-me como estava antes. A menina virou lentamente a cabeça olhando-me. "Ias para onde?" Disse ela em quando vinha para mim. Não lhe respondi mas sem querer apontei com os olhos para o local onde estava o telefone. Ela seguiu o meu olhar e logo riu. Um riso maligno.
Ela ando até o local daquele objeto que me podia ter salvo a vida. Riu e agarrou no fio que se encontrava cortado. "Parece que este teu amigo se encontrava cortado" Riu "Estavas quase a fazer asneiras, amiga" Deu uma forte gargalhada que me ecoou na cabeça. "Não sou tua amiga!" Gritei-lhe. "Shhh" Disse ela em quanto se aproximava de mim com um dedo em frente aos seu lábios. "Somos amigas" disse ela com um sorriso. "Não somos amigas! Eu não sei quem és, não sei o teu nome, e não te conheço!" Gritei-lhe. Ela apenas ficou sem dizer uma única palavra. Ela tinha os olhos arregalados e uma lágrima caio pelos seu olhos direito. Ela ficou mais calma mas de repente os olhos dela ficaram vermelhos agarrando de seguida com a mão esquerda a arma que se encontrava no chão. Ela apontou rapidamente a arma à minha frente.
"Não te lembras de mim!" Gritou ela a chorar para mim. "Nunca te vi! Nem sei qual é o teu nome!" Disse-lhe, mas não gritei pois não estava na altura certa para tal coisa. "Eu só não te mato agora porque ainda é muito cedo".
Mas cedo para que? Não a percebo... Acho que ela está a fazer confusão, ela deve pensar que sou outra pessoa, outra rapariga.
As lágrimas dela secaram e deixou cair a arma ao chão. Mas depois disso ouvimos um grande estrondo. Ambas olhamos para a porta e tinha acabado de ser arrombada pelos Zombies.
Cada vez mais o aspeto deles era pior. A menina olhou para mim e rapidamente agarrou na minha mão. Eles eram mesmo muito lentos, enquanto ela era muito rápida.
Subimos uns quantos degraus velhos que estalavam fazendo uns ruídos exagerados. A menina levou-me até um quarto ao fundo do corredor onde apenas tinha uma cama e umas portas na parede. Ela abriu as duas portas e havia um monte de roupa. Tirou-a e começou a fazer uns desenhos no fundo. De seguida abre-se fazendo um portal. "Entra" Disse-me ela. "E tu?" perguntei-lhe com preocupada. Se ela está a fugir deles é porque também não está muito bom para o seu lado. "Eu vou atrás de ti" Disse-me. " Agora rápido!" Ordenou-me.
Entrei lá dentro. Era um espaço pequeno, por isso tinha que ir de gatas. Olhei para trás e ela estava a fechar primeiro as portas do armário e depois as portas deste tonel. Continuei a gatinhar sempre em frente. As minhas mãos estavam todas nojentas por causa de ter agarrado a menina pela mão. Estava com sangre seco por quase todo o corpo. Mas aguentei-me, agora o que importava era sobreviver, se é que isso poderia realmente acontecer.

(Amanhã publico a parte 5)

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