"Cai redonda no chão e as últimas palavras que ouvi da boca dela foi "Tens que ter cuidado com as palavras".
Sentia-me tonta e já tinha os olhos fechados. Sentia-me consciente ou seja que morta não estava.")
Abri os olhos rapidamente. Desta vez não tive sonhos ou nada do género. Simplesmente tive como um enorme desmaio. Estava deitada no chão. Deixei-me estar sem me mexer menos os olhos. Olhei para todo o lado e não vi ninguém. Ainda continuava na mesma sala, mas não havia sinais da menina. Teia ido embora?
Levantei-me ouvindo uma voz... Melhor dito... A sua voz. "Finalmente acordaste!" A voz dela estava calma e suava, e digamos que estava cheia de felicidade nela. Não conseguia olhar para trás pois o medo estava em mim. "Mas foi por tua culpa que desmaiei" Disse-lhe com medo sem me virar. "Em realidade..." Pausou. "... Bem..." Pausou novamente. "Sim?" Virei-me olhando para ela tirando o medo todo de mim. "Desculpa..." Disse ela baixando a cabeça.
Ela parecia tão indefesa neste momento que não havia como não acreditar naquelas palavras. Parecia que as palavras eram mesmo sinceras e não havia malícia nelas, mas poderia ser mentira. Eu não confio nela. "Desculpa?" Disse-lhe fazendo-me de desentendida. "Desculpa" Disse-me ela fazendo uma pausa. "Eu não te devia ter gritado... mas falar sobre os meus pais é algo... bem... traumático". Por muito que queira perguntar-lhe o que aconteceu não podia, pois tinha que lhe respeitar.
Ela estava sentada na sofá deixando um espaço ao pé dela. Sentei-me lá.
"Há quantas horas estive desmaiada?" perguntei-lhe. Ouvi um riso, não mau pelo contrario. Era um riso bom que me fez sorrir. "Eu já não chamava isso de simples horas" Disse-me. Esta não percebi. "Em realidade não foi bem um desmaio. Aquilo que eu te fiz foi fechar-te num sono profundo. Na realidade ias morrer mas tiveste sorte. Se tivesse passado mais um dia já não estarias aqui para falar comigo." Disse-me a rir. "E quanto tempo estive naquele estado" Disse gaguejando. "Uns três dias dias" Riu. "Três dias!" Disse alto e com boa voz.
Fiquei sem resposta. Levantei-me e comecei a dar voltas por todo o lado. Ouvi um barulho vindo de mim. Era fome a chamar por comida.
"Tenho fome" afirmei-lhe. "Temos pena" Respondeu-me.
Bufei. Comecei a pensar nestes últimos dias e olhar para a rapariga. Lembro-me quando ela me disse "Não julgues o meu aspecto pois eu posso ser o teu bem mais precioso". Se calhar ela não é assim tão má como eu pensava que era. Se calhar eu vou sair daqui viva. Mas ela também já me disse coisas más. Ela já insinuou que me ia matar... Porque haveria de acreditar nela? Porque haveria de acreditar nas palavras mansas dela?
"Os Zombies?" Perguntei-lhe. "Devem ter ido, nunca mais os vi." Respondeu-me.
Aliviei-me, mas esse alivio durou por pouco tempo pois ouvi um estrondo enorme vindo de lá de fora.
"Parece que ainda estão cá." Disse-me ela com calma e pacifica. " E agora?". "Agora se morreres morres, e se não... Bem... Acho que irás morrer."
Eu não queria que o meu fim fosse ali. Eu não queria morrer.
Ouvimos mais e mais estrondo, o que pareciam ser umas grandes armas de fogo.
A porta por onde entramos começou a mexer e parecia que toda a sala se agitava.
A menina não se mexia e continuava fixa no mesmo lugar.
"E tu?" Perguntei-lhe. "Eu não irei morrer" Riu. "Porque?" "Bem... Eu já estou" Riu alto e forte.
(Amanhã publico a parte 7)
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