"Ela devia estar a preparar alguma. Nem sorrisos, nem más palavras, nem más ações, uma casa arranjada e cheirosa. Vindo dela isto é estranhíssimo.")
Sentei-me num sofá, que não chiou, e vi que estava uma televisão em bom estado mesmo à minha frente. Achei estranho, afinal neste mundo também há tv?
Olhei para uma mesa de madeira que se encontrava mesmo a minha frente. Agarrei-o. Tinha um pouco de pó mas nada de mais. Agarrei-o e cliquei no botão onde dizia "1". Não estava a conseguir. La me ia eu levantar do sofá quando a Coraline me diz que não funcionava. Bufei, mas já era de esperar.
Esperei que ela se sentasse para lhe perguntar o que era "eu". Esperei um longo tempo. Ela não se cansa de estar sempre de pé?! É que eu não me lembro de alguma vez a ter visto sentada.
Lá se sentou, finalmente, e fui junto a ela. Peguei numa cadeira, e sentei-me.
"Então, que sou eu?" Perguntei-lhe não encarando-a. "Bem, vai ser difícil de contar e não sei como vai reagir...." "Continua" Disse-lhe olhando-a.
Ela suspirou e começou a contar. "Bem, não sei se te lembras do que contei a muito muito mas mesmo há muito tempo. Eu sou uma criatura do demônio, a que todos temem nestas bandas. Bem, ao que parece já não sei a única, ou melhor, serei a única criatura do demônio." "Podes explicar melhor?" "Bem... Tu és a minha criatura. Não sei como, mas quando eu te matei dei-te alguma compaixão fazendo, talvez, algum efeito. O problema é que sendo uma criatura do demônio e tu uma minha, acas por ser mais forte que eu, mais poderosa. Quando te transformares vais ser maior, muito mais que eu, vais ser mais monstruosa e não vais ter compaixão por nada nem por ninguém. E é por isso que, talvez, mudei o meu carácter para contigo. E isto é uma das razões do porque te trouce para este lugar. Aqui estamos mais afastados de todos e posso domesticar-te." "Mas pensas que sou algum animal para me estares a fazer treinos para me domesticar?!" Gritei-lhe. "Ei tem calma, ok?!" Levantou-se e continuou a dizer "É o melhor para ti! Para te controlares e não dares cabo de tudo! Ou queres ser como eu que a cada coisa que lhe falam transforma-se num ser temível por todos!?" Fiquei calada e olhei para o chão. "Bem me parecia" Continuou ela. "Mas porque eu não morri em paz?" Questionei-a. "Há varia possibilidades... Primeira: O destino quer assim. Segunda: Tens algo para fazer ainda neste mondo.... Ou então não sei. Mas há uma coisa que tens que saber... Se o demônio sabe que mais uma criatura aqui existe, vai-te querer matar." Engoli seco. "Mas eu não era a criatura mais forte." "Não tanto como ele. Alias... Ambos têm a mesma força." "Ou seja, eu sou o demônio." "Não baralhes as coisas, ok?" Nada lhe disse. Fui ter com Baco e disse-lhe "Independentemente do que acontecer, nunca me deixes." Fiz-lhe um mimo. Ele assentiu.
Agora que penso... Será por ser o que sou que Baco me percebe? "Coraline?" "Diz" "Baco percebe-me porque eu sou o que sou?" "Claro, tal como me percebe, e tu também o podes perceber." "Como?" Ela levantou-se, andou até mim e colocou a sua mão no meu ombro. "Basta treinares os teus dotes." Assenti. Vai ser uma nova aventura, e quem diz que isto não irá mudar? Que venha que vier, eu vou enfrentar. Que venha o demônio! Não tenho medo dele.
"Vamos lá para fora para te transformares" "E se eu não me conseguir controlar?" Perguntei-lhe assustada, com medo, pois temia disto tudo. Para mim isto era uma novidade, claro, não sabia como me enfrentar. "Não te preocupes. Conheces a música Don't Let Me Go? Bem, irei canta-la, e se não te conseguires controlar irei magoar-te. Como será a tua primeira ferida em quanto criatura, Baco, com a sua linguá, irá curar-te e voltaras ao normal." Respirei fundo. Pelo menos teria a Baco e, por agora, a Coraline comigo para me ajudar nisto tudo.
Fomos lá para fora. Eles afastaram-se de mim e ambos começaram a criticar, a rebaixar-me e a desanimar. Comecei a sentir-me um pote de raiva. Sentia o meu sangue todo a ferver dentro de mim. Eu crescia e crescia já devia ter mais de três metros. A minha pele era preta com pintas vermelhas por causa das marcas da sangre quente. O meu cabelo começou a esconder-se dentro de mim, fazendo a minha figura parecer careca. Na minha mãe só se encontravam três dedos e garras enormes. A minha figura era super magrinha, onde se viam todos os ossos do meu interior. Na minha testa cresceu um largo corno preto. A minha cara estava cheia de arrugas e não tinha nariz, apenas dois boraquinhos. Os meus olhos quase que nem se viam mas uma luz vermelha apareceu neles. Eu começava a sentir medo de mim, medo do que eu era, mas o ódio era mais forte agora.
O meu sangue começou a aumentar fazendo com que rios de sangue aparecessem no meu corpo.
Olhei para Baco e Coraline. A minha figura era mais temível que a figura dela. A cara deles era de medo, temor, TUDO! Só me apetecia ir ter com eles e arrancar-lhes as cabeças.
Coraline aproximou-se de mim e começou a cantar aquela musica que ela tinha falado antes. Don't Let Me Go, essa musica que era composta por Harry Styles. Eu reconhecia aquela canção como a palma da minha mão.
Ela esta a cantar mas eu não prestava atenção até ela dizer " Don't let me, Don't let me, Don't let me go 'Cause I'm tired of feeling alone."
Comecei a sentir uma forte dor na cabeça. Encolhi-me e gritei. Comecei a fazer movimentos bruscos e matinha os olhos bem fechados.
Quando os abri estava outra vez normal. Já não era aquela criatura horripilante, por agora. Olhei para Coraline que me sorria. "Afinal sempre funcionou."
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